quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

SHOW DO BLAZE BAYLEY - PARTE II


Sem os fogos de artifício de outrora, sem o grande palco de outros tempos, sem a enorme gravadora financiando, Blaze Bayley me entra no palco pelo mesmo caminho de quem entra na casa. Entra com toda a luz, perdendo o efeito surpresa. Os gritos "Blaze! Blaze! Blaze!" parecem ser ignorados. Entra com os olhos vidrados como alguém que vai "mata um". O olho de doido varrido junto daquele fundo musical de início não me teve muito efeito. Tá, ele está com cara de heavy metal. Tá, ele vai começar a fazer caretas e incitar os chifres rídiculos. Tá, ele vai começar a...

1.Blackmailer - o ambiente muda de repente. Os graves tomam conta da alma. A música é uma paulada, é pesada, mas é entendível, não é grunhida. Ele se posiciona no limite, no extremo do palco, e a banda o cerca, também bastante avançada no palco. Ele está realmente perto da gente. Nos olhava nos olhos, me encarou duma maneira que não apresentei reação. Ao mesmo tempo que me era estranho ouvir ele ao vivo, uma criatura que só estava nos encartes dos cds, a cara de maluco me era muito esquisita.


O show segue com energia - 2.Smile Back at Death, 3. Faceless, 4. Waiting for my life to begin, 5. City of bones e na sexta música da noite penso ser o ápice 6. Voices from the past.  Ali era o auge da emoção, ao meu ver. Eu me sentia entregue ao que acontecia, eu acreditava no que ele cantava, por mais que muitas palavras me fujam ao entendimento (inglês, o idioma do demônio, é foda. Não é fala, mas grunhido do cão que colocô pra nóis bebe). A essa altura ele já havia apertado mãos (não o cão, mas o Blaze), encarado gente, feito o povo berrar o tempo todo. O show era de todos nós. Assistiamos Blaze e banda e eles nos assistiam. Isso me fez cantar mais, atender aos pulos e, sim, a fazer chifrinho dando o devido valor que o sinal merece. Ao relatar parece rídiculo, mas na hora é o gesto a ser feito, é o que faz todo o sentido.

O povo se aperta na direção do palco e eu me vou junto. A encoxação masculina, o cheiro de asa, a mão na bunda, os socos na cabeça que tu leva, todo o ajuntamento normal e um tanto nojento dum show desses não aconteceu, mesmo havendo deslocamente massivo. E não me fez falta nenhuma, claro, tais coisas nojentas. O Beco foi bem escolhido pra tal evento pois possibilitou meu saculejo metaleiro com direito a folga para respirar e distância mínima entre minha axila e axilas de terceiros. Eu tinha razão, visse. Quanto menor a casa, melhor.

Meio do show, eu ali feliz da vida já bem perto do palco. Chega a parte onde ele toca quatro músicas como se fossem uma. No álbum último elas foram coladas, pois contam uma história com um fundo de desabafo, e segundo ele, caso real. Deixo-mo levar pelo marketing pontual e sou hipnotizado pelo que veio a seguir, por ser minha parte favorita do último álbum. No discurso pré-epopéia ainda falou em viver o dia de hoje, a vida de hoje, a nossa vida, e aquilo me veio em momento propício. Eu adio uma série de sentimentos e, sabe, meu coraç... Não dá tempo, começou! - 7. Surrounded by sadness, 8.  The trace of the things that we have no words, 9. Letting go o the world, 10. Comfortable in the darkness - foi a parte onde eu olhei, vi quem fazia o que na música, visualizei as mudanças no timbre vocal, drives e etc. Parte para apreciação do trabalho artístico e descanso da galera. Pronto, não havia mais nada a acontecer que superasse o até então. E...
"Isso é real. Não tem RGE, Sony, EMI. Isso aqui somos nós e vocês. 11. Futureal"


Confesso que o "Futureal" no final ficou meio bobo, mas na hora se ele falasse "Uno" eu também ia ver todo um sentido na palestra. Aquele momento, as notas da música do Iron Maiden (tinha até esquecido deles a essa altura) me atingiu de jeito. Sentimental que estava, sentimental que saiíde casa não apenas por causa do show mas por causa da vida mesmo, cantei tanto, mas tanto, cantei tanto, mas tanto, cantei tanto, mas tanto, que no outro dia não tinha mais minha voz. Minutos depois do show eu não reconhecia o som que saia de dentro de mim. Machuquei minha garganta de tanto cantar.

Eu estava atrás daquelas mãos, bem em frente àquele guitarrista da esquerda.

Finalmente eu estava no show. Eu pulava, cantava, fechava os olhos, e chorei uma lágrima. Uma só, de canto. O suficiente, mano. Fico comovido quando vejo todo um povo voltado à uma arte, valorizando-a. Isso acrescentado ao fato de eu ser mutito fechado para algumas coisas, faz com que momentos como esse se tornem desabafo sem fala. O que me é muito bom, visto que falo de mais, mas não me exponho muito.

Dali em diante foi um som melhor que o outro. 12. The launch, 13. Blood and belief, 14. The clansman, 15. The brave, 16. Watching the night sky, 17. Madness and sorrow, 18. Samurai, 19. The man who would not die. Aqui ele diz

"Mais uma música e é isso. Depois eu vou ficar aqui, no palco. Não vou pro camarim. Vou conversar com vocês, tirar fotos, autógrafos, tomar cerveja"

E show encerra com 20. Man on the edge. Iron Maiden pra terminar, loucura, pulos, cantoria, fim do melhor show da minha vida. Total gasto: R$2,45 ônibus de ida + R$27,00 taxi com negociação na volta + R$10,00 em dois latões solitários e portanto por mim aproveitados + R$40,00 ingresso = R$79,45

Melhor show da minha vida.

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